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Artigos, Destaques - 12/07/2018

São Boaventura: Vida e Obra

São-Boaventura

São Boaventura nasceu em Bagnoregio, no centro da Itália, em 1218, recebendo no batismo o nome de João Fidanza. Uma gravíssima doença o estava vitimando ainda pequeno, quando a mãe desesperada levou-o a São Francisco em Assis, a fim de que orasse sobre ele, fazendo o voto de consagrá-lo à vida religiosa se sarasse. O santo de Assis tomou-o nos braços, rezou e eis o milagre: imediatamente ficou bem. O santo, vendo este milagre, exclamou: “Ó, boa ventura!” nome que ficou no menino daí para frente.

Aos vinte anos Boaventura decidiu entrar na Ordem Franciscana que ainda respirava o suave carisma da primeira geração, após a morte do Fundador. Esta Ordem irmanava a simplicidade evangélica com a ciência e o zelo apostólico. Toda a vida religiosa de São Boaventura foi uma síntese harmoniosa de extremos distantes: ação e contemplação, rigor lógico e piedade mística, humildade e dom de governo. Enviado a Paris para os estudos superiores, teve como mestre o célebre Alexandre de Hales que admirava em Boaventura, junto com a inteligência aberta, a candura da alma, a inocência de vida, não hesitando em dizer: “Parece que o pecado original nele não achou lugar”.

A mortificação dos sentidos unida à oração era o grande meio para conservar a inocência interior. Ordenado sacerdote, teve o dom da eloquência, o ardor da fé, que o tornaram extremamente comunicativo, penetrando com sua palavra no íntimo dos corações.

Não tendo ainda trinta anos, foi nomeado professor de teologia, na Universidade de Sorbonne em Paris, o maior centro cultural do tempo, onde, contemporaneamente ao nosso santo, brilhavam, como luzeiros, os mestres Santo Alberto Magno e Santo Tomás de Aquino.

O século XIII foi o momento da síntese medieval, elevando à fórmula de perfeição as tentativas e lutas dos séculos precedentes: o estilo gótico, o regime municipal, as ordens mendicantes e, nas universidades, as Sumas Teológicas, espécie de enciclopédias do saber.

São Boaventura, com Santo Alberto e Santo Tomás de Aquino formavam a tríade perfeita desta síntese cultural eclesiástica. Seus escritos perfazem onze volumes in fólio: são obras clássicas de mística, de espiritualidade franciscana, comentários bíblicos, preleções teológicas, poesias, hinos sacros, inclusive a vida do patriarca São Francisco.

Nota pessoal de sua espiritualidade é o Cristo, centro da criação. Na linha de São Bernardo, que nutria amor ardente à humanidade de Cristo, a obra teológica de Boaventura contribuiu para fundamentar esta corrente mística, que constitui uma das características da piedade cristã, durante a Idade Média. É chamado, por isso, o Doutor Seráfico. O itinerário da alma para Deus é sua obra-prima de literatura mística.

Aos trinta e seis anos, Boaventura foi eleito ministro geral da Ordem Franciscana, isto é, o segundo sucessor de São Francisco, Ordem que já contava com milhares de membros. Por 18 anos Boaventura percorreu toda a Europa, a fim de visitar os religiosos e coordenar as atividades da Ordem.

Consolidou a organização da Ordem, fomentou um tipo de vida franciscana acessível a todos; por isso, foi respeitado até pelos mais extremados rigoristas do seu tempo. Soube conduzir com rara prudência as experiências e intuições espirituais de São Francisco.

Ao completar 52 anos, o Papa o quis perto de si, nomeando-o cardeal e bispo de Albano, mas ficou pouco mais de um ano no novo cargo pastoral, pois, extremado pelas fadigas das viagens e dos trabalhos, veio a falecer durante o Concílio de Lião, na França, no dia 14 de julho de 1274. Tinha 56 anos.

(Fonte: CONTI, Servilio. O Santo do dia. 4.ed.rev.atual., Petrópolis: Vozes, 1990, p. 305-306.)



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