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Artigos, Destaques - 13/06/2018

Santo Antônio e o casamento

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*Frei Fernando A. Lima, OFM

É muito comum ouvir dizer que Santo Antônio é casamenteiro, mas não é comum alguém saber o porquê desta fama. Sabemos que Santo Antônio foi um frade franciscano do séc. XII. Este santo é caracterizado pelo seu amor a Deus, à Palavra de Deus e à caridade para com os necessitados. Mas, e essa relação dele com o casamento? Afinal, a maioria dos milagres vinculados à intercessão deste grande pregador é pertinente à recuperação da saúde!

Essa fama de casamenteiro vem de uma história de Nápoles. Segundo o relato havia nesta cidade uma jovem que desejava se casar, no entanto sua família não tinha condições de pagar o dote para que isso ocorresse.  Sabemos que o dote é uma prática muito antiga na qual a família de uma moça oferecia uma quantia em dinheiro ou outros bens para o rapaz que ia casar com ela. Por conta disso muitas moças ficavam solteiras, sem querer, mesmo pretendendo o casamento. Então a moça Napolitana ajoelhou-se aos pés da imagem de Santo Antônio e com muita fé pediu sua ajuda para resolver esse problema. Conta-se que, milagrosamente, Santo Antônio lhe entregou um bilhete com a recomendação de procurar certo comerciante. Ao entregar o bilhete ao homem este o leu e entendeu que desse tantas moedas de prata à moça quanto fosse o peso do papel da mensagem. O comerciante não ficou preocupado, pois o bilhete pesava pouquíssimo. Assim colocou-o na balança. No entanto ao colocar as moedas no outro prato, o papel pesava mais que as moedas até completarem-se 400 escudos de prata, quando a balança alcançou o equilíbrio. Neste momento o comerciante lembrou-se que havia feito uma promessa a Santo Antônio e não pagara o prometido, exatamente quatrocentos escudos de prata. A moça recebeu a quantia dada e isso possibilitou que casasse, como desejava, seguindo os costumes da época. A partir daí Santo Antônio que já gozava de prestígio por tantas qualidades, teve acrescentado aos seus favores a atribuição de Santo Casamenteiro.

Há outras histórias vinculando Santo Antônio à proteção do casamento e do amor conjugal que, inclusive, deram origem a algumas práticas supersticiosas. Contudo vale lembrar que foi pela época de Santo Antônio, século XII, que aparece na Occitânia o fin’amors, o amor cortês, que irá se difundir na Europa Ocidental, incluindo no casamento a atitude romântica, além do objetivo da procriação. Embora na antiguidade também tenha havido a dinâmica do amor e da paixão, não havia ainda a concepção disso como esperança de felicidade ou de sofrimento decorrente da ausência dela. Enquanto isso, no ano de 1184, no Concílio de Verona, a Igreja declara o casamento como um sacramento, o sétimo sacramento, acrescentando-o aos outros seis em vigor. Portanto uma época de mudança da concepção do matrimônio, seja no nível secular, como condição de felicidade, seja no nível religioso como Sacramento da Igreja.  Santo Antônio, humilde franciscano, participou desse dinamismo favorecendo que esse caminho de felicidade fosse trilhado por pessoas que recorreram à sua intercessão.



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