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Destaques, Notícias - 28/06/2018

Presença feminina no ITF

 

 

Paula

Paula Regina Reis – estudante de teologia do Instituto Teológico Franciscano.

Foto: Neuci L. Silva

No ano 2000 conheci um padre que havia chegado à paróquia em que participo no final do ano anterior. Gean Luigi Consonni (João Luís, como o chamávamos), comboniano italiano, grande amante da teologia. Ele mesmo se encarregou da formação dos catequistas, agentes da pastoral do Batismo, ministros da Palavra. Foi a oportunidade para o meu primeiro contato com o pensamento de alguns teólogos famosos, a exemplo de KarlRahner, Libânio, entre outros. Posso dizer que aquelas formações foram o estopim para um desejo cada vez maior de ampliar meus conhecimentos no campo da Teologia.

Na prática, ao servir como catequistas de adultos na comunidade, ou até mesmo no ministério da Palavra, sempre havia a necessidade de conhecer mais, não apenas no campo do conhecimento acadêmico, mas principalmente porque, cada vez que nós catequizamos alguém, o maior catequizado somos nós mesmos. Sentia que faltava conhecer mais para viver melhor a minha fé, para servir melhor como catequista, para atuar melhor a favor da Igreja.

A busca pela oportunidade de estudar teve um passo decisivo quando, em diálogo com o professor do curso de Animação Bíblica, Carlos Frederico Schalaepfer, manifestei o desejo de fazer uma graduação em Teologia. Ele me faloua respeito do ITF (Instituto Teológico Franciscano), em especial da Biblioteca.Realmente fiquei bastante impressionada na primeira visita e, com o incentivo do meu marido, Rodrigo, comecei os estudos no mês seguinte.

Apresentei-me a turma e senti a primeira dificuldade: eu era a única mulher na maioria das aulas. Apesar de ter sido muito bem recebida pela maioria dos alunos, com certeza senti o estranhamento de alguns. No entanto, com o decorrer do curso senti-me cada vez mais atraída pelo conteúdo, pela dinâmica do Instituto e os desafios se tornaram mais fáceis de ser encarados.

Evidentemente notei um certo descrédito por parte de algumas pessoas, algumas perguntas até bastante incisivas: Estudar Teologia? Pra quê? Quer ser padre? Infelizmente ainda persiste a ideia daqueles que acreditam que o leigo, principalmente a leiga, não precisa saber mais do que o básico.

Entendo que, apesar da Igreja atualmente ser formada por uma grande maioria feminina, as mulheres ainda são relegadas a segundo plano, muitas vezes. Como se a elas estivesse reservado um papel apenas nos bastidores. Admiro-me por todos os homens, principalmente alguns presbíteros, que lutam para apresentar e tornar atuante em suas paróquias as mulheres. Tendo oportunidade, elas demonstram sua incrível capacidade de pensar, de aprofundar reflexões, de encontrar caminhos – tudo com muita sensibilidade, carinho e atenção para com a realidade que as cerca.

Enquanto mulher, penso que todas essas posturas trazem uma carga de preconceitos arraigados de tal forma que existem até mesmo em outras mulheres.

Enquanto leiga, acredito que precisamos nos desfazer do pensamento que os clérigos sejam mais importantes que leigos e leigas, pois, como afirma o documento 105 da CNBB, no número 109, não é evangélico pensar assim. Dessa forma, iguais em dignidade, devemos nos preocupar, da mesma forma, com a nossa formação, buscando fundamentos consistentes que alimentem o nosso ser intelectual ao mesmo tempo que fermentem a nossa fé e a nossa atuação no seio da Igreja.

Quisera que todas as mulheres que vivem a fé católica tivessem a oportunidade de aprofundar seus conhecimentos no campo teológico e que recebessem apoio para isso. A Igreja só teria a ganhar.

Paula Regina Reis



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