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Artigos, Liturgia - 11/04/2018

Os Discípulos de Emaús: 3º Domingo da Páscoa

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3º Domingo da Páscoa, ano B

Oração: “Ó Deus, que vosso povo sempre exulte pela sua renovação espiritual, para que, tendo recuperado agora com alegria a condição de filhos de Deus, espere com confiança o dia da ressurreição”.

Primeira leitura: At 3,13-15.17-19

Vós matastes o autor da vida,

mas Deus o ressuscitou dos mortos.

Depois que Pedro e João curaram o paralítico, este os acompanhava por toda parte; isso atraiu muita gente para ver o maravilhoso acontecimento. Então Pedro tomou a palavra para explicar o acontecido. Não foram eles que o curaram, e sim, Jesus. Este Jesus, que o povo e as autoridades haviam rejeitado diante de Pilatos. Preferiram que lhes soltasse Barrabás, um assassino, e condenasse à morte Jesus, o “Santo e Justo”, o próprio “Autor” ou princípio “da vida”, por meio do qual Deus concede a Israel a conversão e o perdão dos pecados (5,31). Escolheram um assassino, que tira a vida, e rejeitaram a Jesus, aquele que dá a vida.

Os vários títulos dados a Jesus fazem parte da pregação dos primeiros cristãos. O mais importante, porém, é o anúncio da ressurreição de Jesus, rejeitado “por ignorância” por seu povo. Pedro explica que, assim, Deus quis cumprir o sofrimento do Messias, anunciado pelos profetas. Ao dizer que Jesus foi rejeitado por seu povo “por ignorância”, Pedro se coloca no mesmo nível dos que ele acusa. Talvez, se lembrasse que ele próprio havia negado Jesus no tribunal judaico; mas arrependeu-se e foi perdoado. Experimentou a misericórdia divina e, por isso, exorta os ouvintes: “Arrependei-vos e convertei-vos, para que vossos pecados sejam perdoados”.

No domingo passado (Jo 20,19-31) recordamos que Jesus perdoou os discípulos que o tinham traído, negado e abandonado; tinha-lhes também transmitido o Espírito Santo para que perdoassem os pecados. Hoje, Pedro coloca-se como pecador perdoado, que anuncia a boa-nova do perdão e da reconciliação a seus ouvintes.

Salmo responsorial: Sl 4

Sobre nós fazei brilhar o esplendor de vossa face!

Segunda leitura: 1Jo 2,1-5a

Ele é a vítima de expiação pelos nossos pecados,

e também pelos pecados do mundo inteiro.

Com palavras paternais, o autor da Carta exorta os cristãos do final do I século a não pecarem. Tem consciência que as pessoas podem tornar-se infiéis à primeira conversão, quando abraçaram a fé cristã e receberam o perdão dos pecados. Lembra, contudo, que, se alguém pecar, pode confiar em Jesus Cristo, o intermediário junto ao Pai, e ser novamente perdoado. Mas, quem conhece/experimenta a misericórdia do perdão de Deus é convidado a observar seus mandamentos, a fim de que nele se realize o amor divino.

Aclamação ao Evangelho: Lc 24,32

            Senhor Jesus, revelai-nos o sentido da Escritura,

            fazei o nosso coração arder, quando nos falardes.

Evangelho: Lc 24,35-48

Aleluia, Aleluia, Aleluia.

Assim está escrito: o Messias sofrerá

e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia.

 

Lucas fala de três manifestações de Jesus ressuscitado: Na primeira, algumas mulheres que tinham seguido Jesus desde a Galileia, visitam o túmulo e encontram-no vazio; dois anjos lhes explicam o que aconteceu: “Ele não está aqui, mas ressuscitou como havia prometido”. Elas não vêem a Jesus. Mesmo assim, comunicam a notícia aos apóstolos, mas eles não acreditam (24,1-12).

Depois, Jesus se manifesta a dois discípulos no caminho de Emaús. Quando estes voltam a Jerusalém e comunicam o acontecimento aos onze e aos discípulos reunidos, estes o confirmam: “O Senhor ressuscitou de verdade e apareceu a Simão” (24,13-35).

Por fim, no evangelho de hoje (v. 36-48), enquanto os apóstolos ouviam o relato dos discípulos de Emaús, Jesus aparece e os saúda: “A paz esteja convosco!” Mas eles se assustam, pensando ver um fantasma. Para tirar-lhes as dúvidas e confirmar que ressuscitou “de verdade”, Jesus mostra-lhes as mãos e os pés chagados. Como, apesar da alegria e surpresa, alguns ainda duvidassem, Jesus pede-lhes algo para comer e come diante deles (cf. At 10,41).

Para crer na ressurreição, não basta um túmulo vazio. Agora os apóstolos e alguns discípulos têm provas que confirmam a identidade do Cristo ressuscitado com o Jesus histórico, que conviveu com eles na vida pública e morreu na cruz. Além destas provas, o próprio Jesus recorda o que havia dito sobre sua morte e ressurreição e abre-lhes a inteligência para compreenderem o que as Escrituras dele falavam. Por fim, aponta-lhes a futura missão: Como testemunhas qualificadas, deveriam anunciar em seu nome a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém (cf. At 1,8).

A fé na ressurreição de Jesus aponta para uma vida nova, de seguidores reconciliados com Deus e com os irmãos.

Frei Ludovico Garmus, ofm



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