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Artigos, Destaques - 22/12/2017

O presépio que São Francisco fez no dia do Natal do Senhor

 

De acordo com Tomás de Celano, São Francisco “celebrava com inefável alegria, mais do que as outras solenidades, o Natal do Menino Jesus, afirmando que é a festa das festas, em que Deus, tornando-se criança pequenina, dependeu de peitos humanos” (2Cel CLI,199).

Transcrevemos, a seguir, uma passagem que explica, detalhadamente, o surgimento do primeiro presépio.

 

O presépio que São Francisco fez no dia do Natal do Senhor

 

“A mais sublime vontade, o principal desejo e supremo propósito dele era observar em tudo e por tudo o Santo Evangelho, seguir perfeitamente a doutrina, imitar e seguir os passos de Nosso Senhor Jesus Cristo com toda a vigilância, com todo o empenho, com todo o desejo da mente e com todo o fervor do coração. Recordava-se em assídua meditação das palavras e com penetrante consideração rememorava as obras dele. Principalmente a humildade da encarnação e a caridade da paixão de tal modo ocupavam a sua memória que mal queria pensar outra coisa. Deve-se, por isso, recordar e cultivar em reverente memória o que ele fez no dia do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, no terceiro ano antes do dia de sua gloriosa morte, na aldeia que se chama Greccio. Havia naquela terra um homem de nome João, de boa fama, mas de vida melhor, a quem o bem-aventurado Francisco amava com especial afeição, porque, como fosse muito nobre e louvável em sua terra, tendo desprezado a nobreza da carne, seguiu a nobreza do espírito. E o bem-aventurado Francisco, como muitas vezes acontecia, quase quinze dias antes do Natal do Senhor, mandou que ele fosse chamado e disse-lhe: ‘Se desejas que celebremos, em Greccio, a presente festividade do Senhor, apressa-te e prepara diligentemente as coisas que te digo. Pois quero celebrar a memória daquele Menino que nasceu em Belém e ver de algum modo, com os olhos corporais, os apuros e necessidades da infância dele, como foi reclinado no presépio e como, estando presentes o boi e o burro, foi colocado sobre o feno’. O bom e fiel homem, ouvindo isto, correu mais apressadamente e preparou no predito lugar tudo o que o santo dissera.

E aproximou-se o dia da alegria, chegou o tempo da exultação. Os irmãos foram chamados de muitos lugares; homens e mulheres daquela terra, com ânimos exultantes, preparam, segundo suas possibilidades, velas e tochas para iluminar a noite que com o astro cintilante iluminou todos os dias e os anos. Veio finalmente o santo de Deus e, encontrando tudo preparado, viu e alegrou-se. E, de fato, prepara-se o presépio, traz-se o feno, são conduzidos o boi e o burro. Ali se honra a simplicidade, se exalta a pobreza, se elogia a humildade; e de Greccio se fez com que uma nova Belém. Ilumina-se a noite como o dia e torna-se deliciosa para os homens e animais. As pessoas chegam ao novo mistério e alegram-se com novas alegrias. O bosque faz ressoar as vozes, e as rochas respondem aos que se rejubilam. Os irmãos cantam, rendendo os devidos louvores ao Senhor, e toda a noite dança de júbilo. O santo de Deus está de pé diante do presépio, cheio de suspiros, contrito de piedade e transbordante de admirável alegria. Celebra-se a solenidade da missa sobre o presépio, e o sacerdote frui nova consolação.

O santo de Deus veste-se com os ornamentos de levita, porque era levita, e com voz sonora canta o Evangelho. E a voz dele, de fato, era uma voz forte, voz doce, voz clara e voz sonora, a convidar todos aos mais altos prêmios. Prega em seguida ao povo presente e profere coisas melífluas sobre o nascimento do Rei pobre e sobre Belém, a pequena cidade. Muitas vezes, quando queria nomear o Cristo Jesus, abrasado em excessivo amor, chamava-o de ‘Menino de Belém’ e, dizendo ‘Belém’ à maneira de ovelha que bale, enchia toda sua boca com a voz, mas mais ainda com a doce afeição. Também seus lábios, quando pronunciava ‘Menino de Belém’ ou ‘Jesus’, como que o sorvia com a língua, saboreando com feliz paladar e engolindo a doçura desta palavra. Multiplicam-se aí os dons do Onipotente, e uma admirável visão é contemplada por um homem de virtude. Via, pois, deitado no presépio um menino exânime, via que o Santo de Deus se aproximava dele e despertava o mesmo menino como que de um sono profundo. E esta visão era muito apropriada, pois que o menino Jesus tinha sido relegado ao esquecimento nos corações de muitos, mas neles ele ressuscitou, agindo a sua graça por meio de seu servo São Francisco, e ficou impresso na diligente memória [deles]. Terminada finalmente a solene vigília, cada um voltou com alegria à própria casa.

O feno colocado no presépio foi guardado para que, por meio dele, o Senhor salvasse os jumentos e animais, assim como multiplicara sua santa misericórdia. E, na verdade, aconteceu que muitos animais que tinham diversas doenças pela região, ao comerem deste feno, foram libertados de suas doenças. Até mesmo as mulheres que trabalhavam em grave e longo parto, colocando sobre si um pouco do predito feno, dão à luz com parto saudável; e a multidão de homens e mulheres obtém a desejada saúde de diversas doenças. – Finalmente, o lugar do presépio foi consagrado como templo do Senhor, e em honra do beatíssimo pai Francisco construiu-se sobre o presépio um altar, e dedicou-se uma igreja, para que, onde uma vez os animais comeram forragem de feno, aí doravante os homens comam, para a salvação da alma e do corpo, a carne do cordeiro imolado e não contaminado. Nosso Senhor Jesus Cristo, que com a suprema e inefável caridade se entregou a si mesmo por nós, e que vive e reina com o Pai e o Espírito Santo, Deus eternamente glorioso, por todos os séculos dos séculos. Amém. Aleluia. Aleluia.” (1Cel XXX,84-87).

 

(FONTES Franciscanas e Clarianas. Organização de Celso Márcio Teixeira; tradução de José Carlos Corrêa Pedroso, Irineu Gassen, Ary Estêvão Pintarelli, Durval de Morais; apresentação de Sergio M. Dal Moro. Petrópolis: Vozes; Brasília: FFB, 2004, p. 254-257)

 

“A mais sublime vontade, o principal desejo e supremo propósito dele era observar em tudo e por tudo o Santo Evangelho, seguir perfeitamente a doutrina, imitar e seguir os passos de Nosso Senhor Jesus Cristo com toda a vigilância, com todo o empenho, com todo o desejo da mente e com todo o fervor do coração. Recordava-se em assídua meditação das palavras e com penetrante consideração rememorava as obras dele. Principalmente a humildade da encarnação e a caridade da paixão de tal modo ocupavam a sua memória que mal queria pensar outra coisa. Deve-se, por isso, recordar e cultivar em reverente memória o que ele fez no dia do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, no terceiro ano antes do dia de sua gloriosa morte, na aldeia que se chama Greccio. Havia naquela terra um homem de nome João, de boa fama, mas de vida melhor, a quem o bem-aventurado Francisco amava com especial afeição, porque, como fosse muito nobre e louvável em sua terra, tendo desprezado a nobreza da carne, seguiu a nobreza do espírito. E o bem-aventurado Francisco, como muitas vezes acontecia, quase quinze dias antes do Natal do Senhor, mandou que ele fosse chamado e disse-lhe: ‘Se desejas que celebremos, em Greccio, a presente festividade do Senhor, apressa-te e prepara diligentemente as coisas que te digo. Pois quero celebrar a memória daquele Menino que nasceu em Belém e ver de algum modo, com os olhos corporais, os apuros e necessidades da infância dele, como foi reclinado no presépio e como, estando presentes o boi e o burro, foi colocado sobre o feno’. O bom e fiel homem, ouvindo isto, correu mais apressadamente e preparou no predito lugar tudo o que o santo dissera.

E aproximou-se o dia da alegria, chegou o tempo da exultação. Os irmãos foram chamados de muitos lugares; homens e mulheres daquela terra, com ânimos exultantes, preparam, segundo suas possibilidades, velas e tochas para iluminar a noite que com o astro cintilante iluminou todos os dias e os anos. Veio finalmente o santo de Deus e, encontrando tudo preparado, viu e alegrou-se. E, de fato, prepara-se o presépio, traz-se o feno, são conduzidos o boi e o burro. Ali se honra a simplicidade, se exalta a pobreza, se elogia a humildade; e de Greccio se fez com que uma nova Belém. Ilumina-se a noite como o dia e torna-se deliciosa para os homens e animais. As pessoas chegam ao novo mistério e alegram-se com novas alegrias. O bosque faz ressoar as vozes, e as rochas respondem aos que se rejubilam. Os irmãos cantam, rendendo os devidos louvores ao Senhor, e toda a noite dança de júbilo. O santo de Deus está de pé diante do presépio, cheio de suspiros, contrito de piedade e transbordante de admirável alegria. Celebra-se a solenidade da missa sobre o presépio, e o sacerdote frui nova consolação.

O santo de Deus veste-se com os ornamentos de levita, porque era levita, e com voz sonora canta o Evangelho. E a voz dele, de fato, era uma voz forte, voz doce, voz clara e voz sonora, a convidar todos aos mais altos prêmios. Prega em seguida ao povo presente e profere coisas melífluas sobre o nascimento do Rei pobre e sobre Belém, a pequena cidade. Muitas vezes, quando queria nomear o Cristo Jesus, abrasado em excessivo amor, chamava-o de ‘Menino de Belém’ e, dizendo ‘Belém’ à maneira de ovelha que bale, enchia toda sua boca com a voz, mas mais ainda com a doce afeição. Também seus lábios, quando pronunciava ‘Menino de Belém’ ou ‘Jesus’, como que o sorvia com a língua, saboreando com feliz paladar e engolindo a doçura desta palavra. Multiplicam-se aí os dons do Onipotente, e uma admirável visão é contemplada por um homem de virtude. Via, pois, deitado no presépio um menino exânime, via que o Santo de Deus se aproximava dele e despertava o mesmo menino como que de um sono profundo. E esta visão era muito apropriada, pois que o menino Jesus tinha sido relegado ao esquecimento nos corações de muitos, mas neles ele ressuscitou, agindo a sua graça por meio de seu servo São Francisco, e ficou impresso na diligente memória [deles]. Terminada finalmente a solene vigília, cada um voltou com alegria à própria casa.

O feno colocado no presépio foi guardado para que, por meio dele, o Senhor salvasse os jumentos e animais, assim como multiplicara sua santa misericórdia. E, na verdade, aconteceu que muitos animais que tinham diversas doenças pela região, ao comerem deste feno, foram libertados de suas doenças. Até mesmo as mulheres que trabalhavam em grave e longo parto, colocando sobre si um pouco do predito feno, dão à luz com parto saudável; e a multidão de homens e mulheres obtém a desejada saúde de diversas doenças. – Finalmente, o lugar do presépio foi consagrado como templo do Senhor, e em honra do beatíssimo pai Francisco construiu-se sobre o presépio um altar, e dedicou-se uma igreja, para que, onde uma vez os animais comeram forragem de feno, aí doravante os homens comam, para a salvação da alma e do corpo, a carne do cordeiro imolado e não contaminado. Nosso Senhor Jesus Cristo, que com a suprema e inefável caridade se entregou a si mesmo por nós, e que vive e reina com o Pai e o Espírito Santo, Deus eternamente glorioso, por todos os séculos dos séculos. Amém. Aleluia. Aleluia.” (1Cel XXX,84-87).

 

(FONTES Franciscanas e Clarianas. Organização de Celso Márcio Teixeira; tradução de José Carlos Corrêa Pedroso, Irineu Gassen, Ary Estêvão Pintarelli, Durval de Morais; apresentação de Sergio M. Dal Moro. Petrópolis: Vozes; Brasília: FFB, 2004, p. 254-257)



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