O Itinerário da mente para Deus « Instituto Teológico Franciscano
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Artigos, Destaques - 17/07/2018

O Itinerário da mente para Deus

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*Frei Fábio Cesar Gomes, OFM

No dia 15 de julho, comemoramos São Boaventura, doutor da Igreja e grande teólogo franciscano.

Dentre as muitas obras que escreveu (de sua autoria), a mais conhecida é o Itinerário da mente para Deus que escreveu no ano de 1259 quando, subindo ao Monte Alverne, meditou sobre o que ali, trinta e cinco anos antes, havia acontecido com São Francisco de Assis: a sua conformação ao Cristo crucificado pela impressão dos estigmas. Inspirado nisso, Boaventura compara as seis asas do Serafim alado que apareceu a Francisco aos seis graus da nossa ascensão a Deus.

É muito significativo que, para Boaventura, tal processo inicia-se pelo conhecimento de Deus através e nos seus vestígios impressos no mundo sensível, no universo criado. Neste sentido, o texto boaventuriano representa uma importante fonte inspiradora para aquilo que, na Encíclica Laudato Sí’, o Papa Francisco chama de espiritualidade ecológica, ou seja, aquele conjunto de “motivações que derivam da espiritualidade para alimentar uma paixão pelo cuidado do mundo” (LS 216).

De fato, no Itinerário, para se referir à criação, Boaventura utiliza-se de duas imagens muito sugestivas para uma espiritualidade ecológica. A primeira é a da escada, indicando-nos que a totalidade das criaturas, cada qual a seu modo, nos remete ao Criador, de modo que o valor delas não se esgota nelas mesmas, mas, na possibilidade que têm de nos conduzir ao princípio do qual provém, na medida em que, considerando-as como escada, fazemos o salto dos seus atributos para os atributos do Criador.

A segunda é a imagem do espelho, pois, dado que o princípio de onde tudo provém é bom e que é próprio do bem autodifundir-se, o Sumo Bem difunde-se nas suas criaturas, de tal sorte que o primeiro princípio pode ser percebido em tantos sinais e que, ao artista supremo, podemos chegar através o espelho do mundo sensível. Portanto, a essência criadora brilha através dos seus vestígios em todas as suas criaturas, de modo que as mesmas são como que sacramentos de Deus, sinais visíveis das Suas perfeições invisíveis, o primeiro grande livro no qual a lei de Deus foi impressa. Cabe a nós saber ler e interpretar corretamente tal livro.

Que São Boaventura nos ajude a fazer isso e, assim, a cuidar bem da nossa casa comum.



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