| 28/11/2011
Por Frei Marcel Freire, OFM
Petrópolis (RJ) – “Um diálogo para construir a Paz”. Esse foi o grande intuito da tarde do dia 25 de novembro, quando o Instituto Teológico Franciscano promoveu um encontro em recordação ao grande evento para o diálogo entre as religiões ocorrido em Assis há 25 anos, mais exatamente no dia 27 de outubro de 1986, o chamado “Espírito de Assis”.
Frei Volney Berkenbrock, professor do ITF e um dos organizadores do encontro, deu início com uma preleção acerca do evento original e ressaltou a importância que representou e representa para a Igreja. “É necessário continuar respirando o mesmo espírito, o mesmo ar!”, afirmou Frei Volney. Embora aquele evento tenha ocorrido há 25 anos, os ares de Paz que de lá brotaram continuam vigorosos e relevantes para a atualidade. É mais que necessário manter viva essa iniciativa de dialogar através das diferenças, mas em torno do que é comum a toda a humanidade e que, de certa forma, está presente em todas as tradições, a Paz.
Frei Vitório Mazzuco, professor do ITF e também um dos organizadores deste encontro e o ilustre convidado, Lama Padma Santem, também ofereceram suas contribuições nesta tarde. Lama Padma Santem, cujo nome civil é Alfredo Aveline, é mestre em Física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), foi professor de 1969 a 1994 e dedicou-se especialmente à física quântica, teoria na qual encontrou afinidade com o pensamento budista. No início dos anos 80, intensificou seu interesse pelo budismo e em 1996 foi ordenado lama pelo mestre tibetano Chagdud Tulku Rinpoche. Neste encontro ele representa a tradição budista tibetana e sua contribuição para a Paz.
O mestre em Espiritualidade, Frei Vitório Mazzuco, iniciou suas colocações sobre o tema: “Francisco de Assis e a mística da Paz”. Partindo dos escritos conservados sobre São Francisco, Frei Vitório ressaltou três aspectos importantes na mística franciscana para a realização da Paz: a reconstrução da Igrejinha de Porciúncula de São Damião; o encontro com o mundo muçulmano; e o Lobo de Gubbio. São três momentos da história franciscana em que, segundo Frei Vitório, São Francisco foi capaz de dar uma resposta mística de Paz e diálogo, inclusive inter-religioso. “O espírito de paz franciscano é crítico e fruto de uma reflexão da realidade como um todo, ou seja, a partir da integração das criaturas como uma fraternidade universal”, assegurou o palestrante.
Após a visão franciscana na construção da paz, tomou a palavra o mestre Lama Padma Santem, que com muita tranquilidade expôs a visão budista tibetana da paz e do espírito da Paz. A partir de sua experiência, Lama Padma apresentou um pouco do pensamento védico do atman e do brahman como elementos convergentes que na tradição budista tibetana são entendidas, respectivamente, como o mundo interno e o mundo externo. Esses mundos acessam distintas realidades que dentro de uma visão de complementaridade dizem ao ser humano que tudo está continuamente ligado e em constante criação. “O papel do ser humano neste plano é compreender e perceber os significados de seus engajamentos e o modo como enfrentar essas realidades com sabedoria, percebendo o Espírito (Long), a essência. Assim vão ser descobertas as verdadeiras causas do sofrimento e também das alegrias, e a paz será o maior fruto”, destacou Lama Padma.
O encontro celebrativo dos 25 anos do Espírito de Assis foi encerrado com uma prece cantada da tradição do budismo tibetano. As cerca de 100 pessoas que, numa tarde de sexta-feira puderam deixar seus afazeres para participarem deste evento, experimentaram o quão simples é cultivar o diálogo, basta deixarmos de lado nossos preconceitos e focarmos juntos naquilo que é o essencial comum, como a necessidade de uma cultura de Paz.
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