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Artigos, Destaques, Liturgia - 27/12/2017

Festa da Sagrada Família

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Oração do dia: “O Deus de bondade, que nos destes a Sagrada Família como exemplo, concedei-nos imitar em nossos lares as suas virtudes, para que, unidos pelos laços do amor, possamos chegar um dia às alegrias da vossa casa”.

  1. Primeira leitura: Eclo 3,3-7.14-17a

Quem teme o Senhor, honra seus pais.

Com sabedoria, a Igreja introduziu a Festa da Sagrada Família após o Natal do Senhor. A Sagrada Família, neste ano, é comemorada no domingo, dia 31/12. No Natal celebramos o nascimento do Filho de Deus, que assumiu em tudo nossa humanidade, menos o pecado. No Menino Jesus, Deus começa, de modo visível, a fazer parte da família humana. O Criador, que nos fez à sua “imagem e semelhança”, assume nossa frágil condição humana. Entrou na família humana para que nós pudéssemos participar de sua divindade, como filhos e filhas de Deus.

Muito cedo os cristãos começaram a se interessar pela Sagrada Família de Nazaré. O apóstolo Paulo (54 d.C.), na Carta aos Gálatas, assim escreve: “Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de uma mulher e sob a Lei (…), a fim de que recebêssemos a adoção de filhos”. Entre os anos 70 e 85, Mateus e Lucas introduzem seus evangelhos com a narrativa sobre a origem humano-divina de Jesus Cristo, respondendo à pergunta que muitos cristãos se faziam a respeito da família de Jesus.

Na liturgia de hoje, a primeira leitura nos mostra quais eram as virtudes recomendadas pelo judaísmo, para uma vida familiar feliz e equilibrada. O texto é do livro do Eclesiástico, um livro sapiencial escrito pelo ano 200 a.C. Recolhe conselhos sábios, vividos durante séculos no judaísmo e em outros povos. Inicialmente, o texto dirige-se aos filhos, estabelecendo princípios e dando motivações para um bom relacionamento com os pais (3,3-7). Já no início, o texto dá a chave de leitura, como segue: “Deus honra o pai nos filhos e confirma, sobre eles, a autoridade da mãe” (v. 3). Em outras palavras, quando os filhos honram e respeitam os pais, estão fazendo a vontade de Deus; como podemos dizer que honramos e respeitamos a Deus, que é nosso Pai e Criador, se não honramos nem respeitamos os pais, que nos deram a vida?

Seguem as decorrências positivas: Quem honra o pai recebe o perdão dos pecados e evita de cometer de novo; por cima, quando orar a Deus, será atendida sua oração. Quem respeita a mãe ajunta tesouros; provavelmente, os tesouros do amor. Terá a alegria com seus filhos, terá uma vida longa e deixará sua mãe feliz. Na continuação (v. 14-17), vêm os conselhos, talvez mais exigentes, do respeito, do amparo e amor que os filhos devem aos pais idosos. Muito oportunos são esses conselhos para os tempos em que vivemos…

Salmo responsorial: Sl 127

            Felizes os que temem o Senhor e trilham seus caminhos.

  1. Segunda leitura: Cl 3,12-21

A vida da família no Senhor.

Paulo nunca visitou a comunidade de Colossos, fundada por Epafras e formada, sobretudo, por pagãos convertidos. O próprio Epafras é um convertido de Paulo em Éfeso (1,7) e lhe trouxe informações de Colossos. Paulo estava preso em Éfeso e foi informado por Epafras que reinava certo sincretismo religioso na comunidade. À luz destas informações, vistas como ameaçava à fé cristã, Paulo ditou a carta e, ao final, assinou-a de próprio punho (4,18).

No trecho hoje lido, Paulo insiste no amor de Deus que deve unir a comunidade e as famílias. Lembra aos colossenses que eles são amados por Deus, são escolhidos para serem santos. Como tais, são revestidos por Cristo para viver a misericórdia, a bondade, a humildade, a mansidão e a paciência, perdoando uns aos outros “como o Senhor os perdoou”. Vivendo unidos pela mesma fé, os cristãos formam um só corpo em Cristo. Quando a palavra de Cristo habita nos corações dos fiéis, eles admoestam-se uns aos outros com sabedoria e, juntos, louvam a Deus com hinos, salmos, cânticos espirituais e de ação de graças.

Por fim, Paulo se volta à pequena comunidade da família: a mulher cuide bem do marido e o marido trate sua esposa com delicadeza e com amor. Os filhos obedeçam aos pais e os pais os eduquem com firmeza e ternura.

Aclamação ao Evangelho

            Que a paz de Cristo reine em vossos corações

            e ricamente habite em vós sua palavra!

  1. Evangelho: Lc 2,22-40

O menino crescia cheio de sabedoria.

O menino nascido em Belém foi circuncidado no oitavo dia do nascimento, quando recebeu o nome de Jesus (Festa de 1º de janeiro). A mãe devia passar mais 33 dias para a purificação após o parto. Cumpridos os quarenta dias, José e Maria levam o menino ao Templo para apresentá-lo ao Senhor e cumprir os ritos previstos na Lei. Segundo a Lei, todo o primogênito menino pertencia ao Senhor e devia ser resgatado por um sacrifício cruento. Quando o casal era pobre bastava oferecer um par de rolas ou dois pombinhos. Foi o que Maria e José fizeram.

Havia ali um velhinho muito piedoso, chamado Simeão. Inspirado pelo Espírito Santo, ele dizia que não morreria antes de ver o Messias Salvador, a “Consolação de Israel”. Quando Simeão viu José e Maria com o menino, louvou a Deus e disse: “Agora, ó Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar teu servo partir em paz”.

Na Anunciação, o Anjo Gabriel comunicava a Maria quem seria o filho que iria conceber: Filho do Altíssimo, filho de Davi (Messias prometido) e Filho de Deus. Agora, Simeão louva o Senhor e reconhece que a promessa de ver o Salvador se cumpria antes de ele morrer. Cumpria-se também a promessa ao povo de Israel, porque nasceu “a luz para iluminar as nações e glória do teu povo Israel”.

Maria e José ficaram admirados com as palavras de Simeão. E este ainda diz a Maria, que o menino “será um sinal de contradição” e que ela, Maria, haveria de sofrer por causa disso: “uma espada te traspassará tua alma”.

Na ocasião, também uma mulher chamada Ana se aproximou e começou a louvar a Deus e a falar “a todos os que esperavam a libertação de Israel”.

Uma pergunta: são os pais que determinam o que serão os filhos?

Frei Ludovico Garmus, OFM



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