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Notícias - 26/06/2013

Estudantes Franciscanos nas manifestações

E o povo foi às ruas. Tem feito muito barulho e não se tem expectativa de que os movimentos pelo país cessem. Talvez não seja exagero algum falar de (pacífica – normalmente!) revolta popular. Há tantos que reclamam de “falta de objetividade”, “inexistência de um programa ou uma pauta”. Parece bem mais com um “grito de socorro, de basta!”, como acentuou o jornalista Ricardo Boechat, em entrevista à BandNews.

Fato é que motivos há de sobra: um sistema político que onera os cofres públicos (ainda mais devastado pela corrupção, endêmica em nosso país, independente desse ou aquele partido); um sistema de transporte, ao mesmo tempo ineficiente, caro e monopolizado por grupos que utilizam a máquina do Estado a seu favor (outra vez o sistema político!); a falta de projetos para infraestrutura urbana; a falta de adequado investimento e o consequente sucateamento da saúde e da educação; os conflitos em torno da terra (incluindo a questão indígena); as arbitrárias expropriações de comunidades inteiras nas imediações dos estádios a serem construídos ou reformados em vista do Mundial de Futebol de 2014; as denúncias de “limpeza social” ligada a tais eventos (denúncias que circula na imprensa internacional)… Realmente, motivos para protestar não faltam. A aparente inexistência de um programa surge, justamente, naqueles que não conseguem ver que todas essas questões (percebidas, claro, por grupos diferentes, juntos, na rua) estão na agenda do dia-a-dia da população.

E os protestos continuam. Há manifestações previstas para quarta, 26, na Capital Federal, no Rio e na Capital mineira. E ainda há espaço na Agenda. Quinta (27) e sexta (28) é a vez de Petrópolis – RJ, quando ocorrerão a segunda e terceira manifestação na cidade.
A primeira manifestação na Cidade imperial ocorreu há uma semana, ou seja, na sexta, dia 21, marcada há cerca de um mês, pelo Facebook (uma característica peculiar da onda de protestos que tomou as ruas do país nas últimas semanas), com pauta definida dois dias antes, quando cerca de 200 pessoas (entre jovens do Ensino Médio, universitários e veteranos) reuniram-se na Praça da Liberdade, à noite, para discutir os rumos que o movimento tomaria.

Ao fim da reunião, uma agenda relativamente extensa foi composta para ser apresentada, oportunamente, ao prefeito Rubens Bomtempo – PSB, constando de itens como a luta pela moradia que enfrentam muitos petropolitanos atingidos pelas chuvas de 2011 e desse ano, subsídio municipal aos transportes, melhorias nas escolas e hospitais municipais, entre outras coisas.

Uma nota interessante dos protestos petropolitanos (mas quase não notada pela imensa maioria do povo que andou, gritando palavras de ordem e ostentando cartazes ou bandeiras, da Rua do Imperador até a Prefeitura e Câmara) foi a presença dos frades franciscanos, estudantes de teologia do Instituto Teológico Franciscano (ITF) – alguns já presentes às discussões prévias, na Praça da Liberdade.

Envolvidos desde o convite feito a outras pessoas para participarem da manifestação até a confecção de cartazes, os frades que estavam presentes no dia (em torno de 20) tinham consciência de que sua presença junto ao povo, participando da luta e da vida pública do país, não só é formativa, mas também importante para que cada frade entenda-se parte do povo, com quem partilha a vida, solidarizando-se com ele, pelo bem comum.

A manifestação ocorreu em clima pacífico e concentrou cerca de 15 mil cidadãos, que cantavam o hino nacional e de mais outras tantas pessoas que, de suas janelas, acenavam, dando apoio, com bandeiras ou lenços brancos, ou, quando movidas pela multidão, acendiam e apagavam as luzes, produzindo uma bela cena de se ver.

Por: Fr. Rafael Teixeira do Nascimento.

Fotos: Fr. João Mário B. Machado.



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