PUBLICAÇÕES



NEWSLETTER
Receba as nossas novidades por e-mail! Clique aqui.

Como foste fiel na administração de tão pouco, vem participar de minha alegria

33º Domingo do Tempo Comum, ano A

 talents

Oração: “Senhor nosso Deus, fazei que nossa alegria consista em vos servir de todo o coração, pois só teremos felicidade completa, servindo a vós, o criador de todas as coisas”.

Primeira leitura: Pr 31,10-13.19-20.30-31

Com habilidade trabalham as suas mãos.

 

O livro dos Provérbios, em vários capítulos, simboliza a Sabedoria na figura da mulher. No último capítulo, louva a mulher ideal: uma temente a Deus, que gera, protege e promove a vida.

A primeira leitura de hoje, dos 21 versos que compõe o poema, extrai 7, suficientes para exaltar a mulher que faz valer seus talentos, como serviço de amor a seu marido, aos filhos, aos empregados e empregadas, e até mesmo aos pobres e necessitados. Por isso, o poema exalta não tanto na beleza da mulher, mas os talentos e a habilidade de suas mãos operosas. Ela compra a lã e o linho e o trabalha com suas mãos. Como a tecelã, ela estende a mão para a roca e com os dedos segura o fuso. Com o trabalho de suas mãos veste a si mesmo, o marido, os filhos e empregados, e ainda pode estender as mesmas mãos para os necessitados e os pobres. Tal mulher é mais preciosa do que todas as joias. É, pois, elogiada a dedicação de seu amor. Em sua feminilidade ela se realiza como mulher, como esposa e como mãe, porque gera, alimenta e protege a vida, “como quem serve” (cf. Lc 22,27), para a todos fazer felizes.

O poema conclui-se dizendo que a beleza e a formosura da mulher são passageiras. Mas a mulher que teme a Deus, pelo amor-cuidado que manifesta em sua vida, merece ser louvada, porque encarna a generosidade e a providência divina.

As mãos carinhosas de nossas mães são mãos que nutrem e se doam como as mãos de Jesus que tomou o pão em suas mãos, deus graças a Deus, partiu-o e disse: “Tomai e comei dele todos; isto é meu corpo entregue para vos dar a vida”.

Como nossa sociedade valoriza a mulher que trabalha dupla jornada? E o trabalho braçal dos mais pobres?

Salmo responsorial: Sl 127

            Felizes os que temem o Senhor e trilham seus caminhos!

Segunda leitura: 1Ts 5,1-6

Que esse dia não vos surpreenda como um ladrão.

 

O trecho hoje lido continua as considerações de Paulo aos cristãos de Tessalônica sobre a ressurreição dos mortos e a segunda vinda do Senhor (2ª leitura do 32º Domingo do tempo Comum). De início, o Apóstolo declara não poder acrescentar ao que Jesus já havia dito: “Quanto a esse dia e a essa hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas somente o Pai” (Mt 24,36). Quando tudo parece estar em “paz e segurança”, o dia do Senhor virá, de repente, como um ladrão, de noite. O que fazer, então, como se comportar? Na admoestação final aos cristãos (v. 4-6), Paulo se inclui, pois esperava que a vinda do Senhor acontecesse estando ele e os irmãos em Cristo ainda vivos (cf. 1Ts 4,13-18). Continuemos vigilantes e sóbrios – diz Paulo – para não sermos surpreendidos por esse dia. Sendo iluminados por Cristo, somos filhos da Luz e não das trevas. Em outras palavras, os cristãos são convidados a viver na tensão escatológica da vinda do Senhor, mantendo vivas a fé e a esperança.

Aclamação ao Evangelho

            Ficai em mim, e eu em vós hei de ficar, diz o Senhor.

            quem em mim permanece, esse dá muito fruto.

Evangelho: Mt 25,14-30

Como foste fiel na administração de tão pouco,

vem participar de minha alegria.

A parábola dos talentos, hoje proclamada, é a continuidade da parábola das dez jovens (32º domingo). Tanto a parábola das dez jovens, como a dos talentos, está relacionada com a segunda vinda do Senhor. Havia, sobretudo na Galileia, pessoas ricas que eram donos de pequenos latifúndios. O patrão tinha seus empregados para cuidar das plantações de trigo ou cevada, oliveiras ou vinhas. Segundo a parábola, em certa ocasião, o patrão viajou para o estrangeiro, talvez para Roma. Antes de se ausentar, chamou seus empregados para lhes confiar a administração das riquezas que havia acumulado. “A um deu cinco talentos, a outro dois e ao terceiro, um; a cada qual, de acordo com sua capacidade”. Um talento era uma medida de peso com valor aproximado de 34 kg. Tratava-se de peso em ouro ou prata. O primeiro trabalhou com os cinco talentos e lucrou mais cinco. Da mesma forma, o segundo que recebeu dois talentos, lucrou outros dois. Os dois primeiros foram ousados, até com o risco de perderem tudo, mas dobraram a quantia recebida. O terceiro, que recebeu apenas um talento, com medo de perder o valor recebido, enterrou seu talento até que o patrão regressasse.

Após muito tempo, o patrão voltou da viagem e chamou os empregados para prestarem conta dos talentos recebidos. Os dois primeiros se apresentaram com alegria por terem dobrado o valor recebido com seu trabalho. A esses o patrão diz: “Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria”. O terceiro empregado trouxe apenas o talento que havia enterrado e o devolveu ao patrão, desculpando-se porque tinha medo dele por ser severo e explorador do trabalho dos empregados. O patrão o chamou de “servo mau e preguiçoso” e mandou tirar dele o talento e entregar ao empregado que tinha dobrou os cinco talentos.

A parábola dos talentos levanta algumas questões: Por que o patrão não entregou a mesma quantia para os três empregados? Por que o talento do terceiro empregado foi entregue ao que tinha lucrado cinco talentos? Considerando que a parábola fala do Reino de Deus, os talentos confiados aos empregados de acordo com a capacidade de cada um nos levam aos talentos que Deus nos confiou. Com qual dos três empregados eu me assemelho? Faço render os talentos que Deus me confiou para a glória de Deus e em favor de meus irmãos? Sou parecido com a mulher sábia da 1ª leitura, que fez valer seus talentos em benefício de sua família e dos pobres? Na comunidade escondo meus talentos?

Frei Ludovico Garmus, ofm



Compartilhe: