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Artigos, Notícias - 06/09/2017

A Oração Franciscana

texto/fotos: Aldo Lima

2ª Temporada dos Sábados Franciscanos

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Neste dia 02 de setembro, no ITF, atendendo à demanda de quem participou da última edição dos Sábados Franciscanos que ocorreu nos meses de abril, maio e julho deste ano, foi iniciada a segunda temporada de encontros, desta vez com o tema sobre A oração franciscana: encontros de estudo e reflexão sobre a oração em São Francisco de Assis e Santa Clara de Assis[1]. No geral, o itinerário dos encontros  está constituído em três partes. No primeiro encontro, será feita uma apresentação geral das orações de Francisco e a oração de Francisco segundo seus biógrafos; no segundo, será realizada uma reflexão sobre algumas das principais orações de Francisco e,  no último encontro, será abordado a oração em Clara de Assis.

Francisco não era somente alguém que rezava, mas que se transformava na própria oração, fez da sua vida uma oração, como nos diz magistralmente seu biógrafo: “Totalmente transformado não só em orante, mas na própria oração, Francisco dirigia toda a atenção e todo afeto naquela única coisa que pedia ao Senhor” (2 Celano 95,5). Ele sempre viveu em espírito de oração e devoção, como ele recomendava aos seus irmãos, conforme podemos encontrar nesses trechos dos seus Escritos:

Regra Bulada, capítulo 5 (do modo de trabalhar)

Os irmãos a quem o Senhor deu a graça de trabalhar, trabalhe fiel e devotamente, de modo que, afastando o ócio, inimigo da alma, não extingam o espírito da santa oração e devoção, ao qual as outras coisas temporais devem servir. Como mercê do trabalho recebam para si e seus irmãos o necessário para o corpo, menos dinheiro ou pecúnia, e isso humildemente como convém a servos de Deus e seguidores da santíssima pobreza.

Carta a Santo Antônio

Frei Antônio, meu bispo, Frei Francisco [deseja] saúde. Agrada-me que ensines sagrada teologia aos frades, contanto que, nesse estudo não extingas o espírito de oração e devoção, como esta contido na regra.

Nesse sentido, ressalta-se a devoção como uma atitude de devolução a Deus pelo dom da existência do ser humano, um direcionar e devolver aquilo que se é para Deus por meio de uma atitude de oração e que a presença plena em tudo que fazemos deve permitir a percepção da passagem e presença de Deus em tudo, passagem que não se repete outra vez da mesma forma.

Contudo, Francisco não queria que se fizesse uma dicotomia entre oração e trabalho, como ocorreu por diversas vezes na própria história da Igreja, onde se constituiu um espiritualismo que desvirtuava o verdadeiro sentido de oração. Por isso, ele pede que no trabalho e em tudo o que se faz, seja feito no espírito de oração e devoção, ou seja, da plena atenção e fidelidade a Deus.

Quanto aos estudos para os frades, ele recomenda a frei Antônio para que o fizesse sem extinguir o espírito de oração e devoção, conforme estava prescrito na Regra dos frades. Para Francisco, a teologia também era um trabalho, portanto, não deveria substituir o encontro com Deus por meio da oração. Para ele era importante que não se perdesse de vista que a nossa compreensão sobre Deus é insuficiente, pois Ele não cabe na compreensão e linguagem humanas.

Os escritos de Francisco, portanto, estão permeados desse espírito. Por isso, mesmo aqueles textos que não são propriamente orações (Regras, Testamentos, Cartas, Exortações, etc), começam, terminam ou contém alguma invocação, benção ou oração.

Na parte da tarde, continuou-se com a reflexão a propósito de alguns relatos das Fontes Hagiográficas que nos falam sobre como Francisco rezava. Um, do início do seu processo de conversão, quando foi hóspede na casa daquele que viria ser o seu primeiro companheiro, frei Bernardo. Neste relato, a oração de Francisco consistia em repetir, durante toda a noite, a exclamação: “Meu Deus e meu tudo”. Outro, do final da sua trajetória terrena, nos apresenta Francisco no Monte Alverne, dirigindo a instigante pergunta a Deus: “Que sois vós e quem sou eu?”.

Assim, nota-se que, para Francisco, rezar consistia numa busca contínua por conhecer sempre melhor a Deus e a si próprio.

Que ele nos ajude a realizar sempre essa mesma busca!

[1]     Todo texto em itálico foi retirado das lâminas utilizadas produzidas por Frei Fábio Cesar Gomes, ofm, como recurso pedagógico utilizado no encontro.



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