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Artigos - 12/07/2018

A missão dos discípulos

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15º Domingo do Tempo Comum, ano B

 

Oração: “Ó Deus, que mostrais a luz da verdade aos que erram para retomarem o bom

     caminho, dai a todos os que professam a fé rejeitar o que não convém ao

     cristão, e abraçar tudo que é digno desse nome”.

  1. Primeira leitura: Am 7,12-15

Vai profetizar para meu povo.

Hoje ouvimos um relato biográfico da vocação do profeta Amós. Amós era um pastor de Técua, uma localidade no reino de Judá, a 20km ao sul de Jerusalém. Como pastor, Amós circulava pelo reino de Judá e também no reino de Israel em busca de pastagens. Frequentava o templo de Jerusalém e o santuário de Betel, próximo à fronteira de Judá, onde podia participar do culto e vender suas ovelhas. Em suas andanças, Amós percebeu a gravidade da violação dos direitos humanos básicos, praticada pelos que detinham o poder político e religioso. Sentiu que Deus o chamava para ser seu profeta (3,8): “Um leão rugiu, quem não temerá? O Senhor Deus falou, quem não profetizará?” As práticas cultuais – dizia – eram uma mentira (4,4-5; 5,4-6.21s). Deus não se agradava das festas religiosas, dos sacrifícios, da música e dos cantos sem a prática da justiça. Antes, preferia ver “o direito correndo como água e a justiça como rio caudaloso” (5,21-25). Preocupado com as críticas de Amós, o sacerdote de Betel, Amasias, denunciou-o junto ao rei como conspirador: “O país já não pode suportar todas as suas palavras”. Pior ainda, Amós anunciava que o rei morreria na guerra e o povo de Israel seria deportado “para longe de sua terra” (7,10-11). Por outro lado, para evitar que o rei mandasse matar Amós, expulsou-o do santuário de Betel, Amasias proibiu Amós de falar em Betel, porque este era o santuário do rei e, portanto, Amós não devia usar este púlpito para fazer ameaças contra o reino de Israel, ganhando ali o seu pão. Não devia se intrometer na política do Estado. Amós lhe responde que não falava ali para ganhar seu sustento. Para isso tinha duas profissões: a de pastor e de agricultor. Mas, segundo Amós, tinha sido Deus quem o tirara do cuidado das ovelhas para, em seu nome, falar ao povo de Israel. Portanto, Amós, enquanto profeta, era porta-voz de Deus junto às autoridades: defendia o povo injustiçado. E era o porta-voz do povo junto a Deus: solidário com o povo sofredor, por ele suplicava (7,1-6).

Salmo responsorial: Sl 84

      Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade,

      e a vossa salvação nos concedei!

  1. Segunda leitura: Ef 1,3-14

Em Cristo, ele nos escolheu antes da fundação do mundo.

A Carta aos Efésios começa com um hino de louvor, que resume a história de nossa salvação. É uma “bênção” dirigida a Deus (“Bendito seja Deus…”) e uma bênção recebida “de seu Espírito, em virtude de nossa união com Cristo”. Trata-se de uma meditação em torno do tema: “Deus em Cristo e nós em Deus”. Os motivos desta “bendição” são a eleição e a predestinação em Cristo, a redenção pelo sangue de Jesus, a adoção como filhos de Deus em Cristo, o perdão dos pecados e o dom do Espírito Santo.

Aclamação ao Evangelho: Ef 1,17-18

Que o Pai do Senhor Jesus Cristo nos dê do saber o Espírito;

conheçamos, assim, a esperança à qual nos chamou como herança.

  1. Evangelho: Mc 6,7-13

Começou a enviá-los em missão.

Em Marcos, Jesus, depois de expulso da sinagoga (evangelho do domingo passado), nunca mais voltou a pregar em sinagogas. Jesus ganha agora o espaço público, as ruelas e praças das aldeias. Jesus já havia escolhido os Doze “para ficarem em sua companhia e para enviá-los a pregar” (Mc 3,14). Mas, na realidade, não os enviou logo em missão. Eram ainda aprendizes. Faltava-lhes qualificação para pregarem ao povo. Agora que Jesus não entra mais numa sinagoga para pregar e os discípulos estão melhor preparados, “começa a enviá-los dois a dois”. Recebem a missão de pregar a todos a conversão, preparando-os para a boa-nova do Reino de Deus. A pregação é confirmada com o poder de expulsar demônios e curar os “doentes, ungindo-os com óleo”. Devem fazer o que Jesus fazia. Mas Jesus os previne sobre as dificuldades da missão. Por isso, deviam levar apenas um cajado de peregrino e sandálias nos pés, para enfrentar as longas caminhadas. Se Jesus não foi bem recebido em Nazaré, o mesmo poderia acontecer com eles.

O Papa Francisco nos pede que sejamos uma Igreja em saída; que saiamos do aconchego de nossas comunidades para estarmos mais junto do povo sofredor; para curarmos suas feridas, as do corpo e as da alma. O ano do laicato nos lembra que todos somos Igreja e não apenas o clero e os religiosos.

 

Frei Ludovico Garmus, ofm



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