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Artigos, Destaques - 10/10/2017

A crise na identidade da vida religiosa

FREI JOSÉ CARLOS CORREIA PAZ, TOR[1]

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A Vida Religiosa Consagrada, dentro do movimento que resultou na realização do Concílio Vaticano II, está passando por um profundo e sofrido processo de redescobrimento de sua identidade. Processo que inclui um momento negativo de desconstrução de uma determinada identidade que já não responde às novas realidades vividas; e, o que torna a tarefa ainda mais difícil, a necessidade de, simultaneamente, ensaiar a construção de uma nova compreensão de si mesma. Todo este processo sob a pressão da urgência dos tempos e das situações. Tarefa que, mesmo tendo começado antes do próprio Concílio, ainda está a caminho e que, como todo processo, se não for bem conduzido e levado adiante com o devido vigor, pode correr o risco do retrocesso.

Aqui refletimos sobre o caminho histórico e teológico percorrido pelos religiosos e religiosas em busca da sua refundação identitária, da reprojeção da missão e da renovação institucional como forma de atender aos anseios do próprio Concílio Vaticano II.

Foi trilhando esta linha de pesquisa que identificamos a evolução da Vida Religiosa Consagrada e a sua significação nos tempos atuais. Verificamos que de fato a Vida Religiosa, desafiada pelo contexto cultural e eclesial do Concílio Vaticano II, está percorrendo um caminho que tem por objetivo a des-construção de um “modelo tradicional” para um resgate do que há de original em cada experiência fundante. Foram mudanças necessárias para que ela se abra ao mundo e garanta o diálogo com a mentalidade moderna.

Diante destas observações entendemos que este processo de ressignificação da identidade e o da rearticulação da missão na Vida Religiosa Consagrada Apostólica foi interrompido. Nesta situação de interrupção dos processos deu-se o confronto da Vida Religiosa com o sujeito pós-moderno. Essa nova realidade eclesial operou um deslocamento da identidade na Vida Religiosa Consagrada justamente por não ter sido capaz de construir um modelo alternativo que garantisse a unidade e consistência à experiência dos consagrados e consagradas e a visibilidade à Vida Religiosa.

Assim, consideramos que o grande desafio da Vida Religiosa Consagrada diante deste mundo contemporâneo – definido como momento de transformações e de profundas mudanças – está na retomada da experiência originária visando à recuperação do encantamento e atração pela sua própria “forma de vida” que exige o seguimento de Jesus. Deste modo, a ressignificação da VRC acontecerá primeiramente pela espiritualidade, como forma de reencontrar as próprias raízes e garantir novos caminhos para o futuro.

Percebemos que o seguimento de Jesus na VRC deve ser “reinocêntrico”, isto é, deve assumir o compromisso com a causa do Reino. Ficou evidente nesta perspectiva que qualquer refundação da VRC só terá sentido se passar pela relação com os pobres. No entanto, diante desta “sociedade líquida” e cheia de ambivalência, as comunidades religiosas se deparam com o relativismo moderno e a individualização que geram na VRC experiências totalmente conservadoras e totalitárias.

As soluções apresentadas para a renovação autêntica da VRC apontam o rompimento com o passado visando criar um novo presente. Identificamos nesta reflexão que o mundo moderno com que o Concílio Vaticano II dialogou não existe mais. Portanto, não se busca mais uma refundação da VRC e sim uma “mutação” substancial. Para isso é preciso compreender que pessoas, gerações e instituições que já cumpriram sua missão aceitem e aprendam a arte de morrer, ou seja, tenham coragem de abandonar o que está já afundando. Como também se deve aprender a arte de viver, migrar para o futuro e nascer para uma vida nova.

ACRISE NA IDENTIDADE DA VIDA RELIGIOSA →Resumo do Trabalho de Conclusão de Curso da Faculdade de Teologia, na  Pontifícia Universidade Católica de Campinas, apresentado em 2016, tendo como título original A crise na identidade e missão da Vida Religiosa Consagrada diante dos desafios de nosso tempo na América Latina e Caribe.

[1]    É frei da Terceira Ordem Regular de São Francisco de Assis – TOR, Vice-Província Nossa Senhora Aparecida, composta pelas fraternidades em: Manaus e Nova Olinda do Norte/AM; Poconé/MT; Moji Mirim e São Paulo/SP; Benedito Novo/SC e Albi – França. Atualmente reside na Fraternidade Nossa Senhora do Rosário de Fátima, São Paulo/SP e é um dos responsáveis pelo Serviço de Animação Vocacional (SAV) da Vice-Província. Para mais informações sobre o SAV entrar em contato por: contatotor@franciscanos.org.br ou pelo site: http://franciscanostor.org.br/



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