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Artigos, Liturgia - 05/09/2017

Se ele te ouvir, tu ganharás o teu irmão

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“Se o teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo em particular, a sós contigo!”

Oração: “Ó Deus, pai de bondade, que nos redimistes e adotastes como filhos e filhas, concedei aos que creem no Cristo a verdadeira liberdade e a herança eterna”.

1 – Primeira leitura: Ez 33,7-9

Se não advertires o ímpio, eu te pedirei contas da sua morte.

O profeta Ezequiel compara a função do profeta em relação ao povo, ao qual fala em nome de Deus, à de uma sentinela em tempos de guerra. Postado numa torre, a sentinela deve advertir os que estão trabalhando nas proximidades para o perigo de um ataque inimigo. Se não der o alarme e, por isso, alguém do povo morrer, a culpa é da sentinela. Mas, se a sentinela avisar e alguém não der importância ao alarme e ficar no prejuízo, a culpa será da pessoa que não obedeceu ao sinal de se recolher. Mas, diferentemente do vigia militar, o profeta ouve as palavras de Deus, comunica-as aos ímpios e aos justos, advertindo-os para o perigo. Se o ímpio não escutar a advertência, corre o risco de perder sua vida. A função do profeta é ouvir as palavras de Deus e advertir o pecador para que se arrependa e, assim, se salve.

Todos nós somos pecadores. Como o ímpio, devemos ouvir a Palavra, arrepender-nos e mudar de vida, para nos salvar.

O mês da Bíblia nos convida a ser ouvintes atentos da Palavra de Deus, para produzirmos frutos de vida para nossos irmãos. Deus não quer a morte do pecador, e, sim, que se converta e viva: “Não tenho prazer na morte do ímpio, mas, antes, que mude de conduta e viva” ( Ez 33,11).

A correção fraterna é um modo de amar o próximo como a si mesmo. Vale, porém, a advertência de Jesus: “Retira primeiro a trave de teu olho, e então enxergarás bem para tirar o cisco do olho do teu irmão” (Mt 7,5).

Conta-se que um pregador famoso, angustiado diante do dever de denunciar a impiedade do pecador, foi perguntar a São Francisco de Assis se deveria continur falando aos pecadores, para não ser condenado por omissão. O Santo lhe disse: “Deste modo eu entendo: que o servo de Deus deve tanto arder em si pela vida e pela santidade que repreenda todos os ímpios pela luz do exemplo e pela linguagem do modo de vida. Assim, eu diria, o esplender de sua vida e o odor de sua fama anunciará a todos a iniquidade deles” (Celano, II, n. 103).

Salmo responsorial: Sl 94 (95)

Não fecheis o coração, ouvi, hoje, a voz de Deus!

2 – Segunda leitura: Rm 13,8-10

O amor é o cumprimento perfeito da Lei.

Paulo sintetiza muito bem a mensagem principal do Evangelho para a vida da comunidade de fé: “Não fiqueis devendo nada a ninguém, a não ser o amor mútuo (v. 8), pois quem ama o próximo cumpre a Lei” (v. 10). Paulo resume os mandamentos negativos do Decálogo, relacionados com o próximo, num único mandamento positivo: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Jesus já havia resumido toda a Lei em dois mandamentos: “Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração… e a teu próximo como a ti mesmo” (Mc 12,28-31).

Aclamação ao Evangelho

            O Senhor reconciliou o mundo em Cristo, confiando-nos sua Palavra;

a Palavra da reconciliação, a Palavra que hoje, aqui, nos salva (2Cor 5,19)

3- Evangelho: Mt 18,15-20

Se ele te ouvir, tu ganharás o teu irmão.

O cap. 18 de Mateus é voltado para a comunidade cristã já formada. Convida, sobretudo, os dirigentes, a tratar com misericórdia e solicitude os fracos, menosprezados e extraviados. O texto sobre a correção fraterna, hoje proclamado, está localizado depois a parábola da ovelha perdida e antes da parábola do devedor cruel, realçando, assim, sua mensagem. O texto contém três temas relacionados à vida em comunidade: a “correção fraterna”, o poder de ligar e desligar, e a oração em comum. A “correção fraterna” refere-se, em primeiro lugar, ao modo como o dirigente da comunidade deve corrigir o pecador. A finalidade é “ganhar o irmão”. O caminho indicado é falar em particular com o pecador, com misericórdia, com amor. Tratá-lo com carinho como o pastor tratou da ovelha perdida e machucada (Mt 18,12-14). No famoso livro “O pequeno príncipe”, a raposa pedia ao “pequeno príncipe” que a “cativasse” e ele respondeu que não tinha tempo… Quando o pequeno príncipe encontrou este tempo, “cativou” a raposa. Quando o pastor encontra este tempo, “ganha o irmão”. O que vale para o dirigente da comunidade vale também para o relacionamento entre as pessoas.

O poder de “ligar e desligar” conferido a Pedro (foi considerado há dois domingos) é hoje concedido aos dirigentes da comunidade. O mesmo “poder” vale no relacionamento entre as pessoas: o perdão dado a uma pessoa, ou dela recebido, nos liberta (cf. Mt 18,21-35: devedor cruel) e reconstrói os laços de amor rompidos. Então, sim, podemos rezar juntos, e o Pai celeste nos atenderá e estará no meio de nós.

Lembrete: Nossos Bispos pediram que, na semana Semana da Pátria, ora em seu término, os católicos rezassem pelo Brasil e por todos os brasileiros, especialmente pelos desempregados e pelos mais pobres.

Que a complicada situação política e econômica se resolva em favor dos mais desfavorecidos. Que venha o Reino de Deus, um reino de justiça, de amor e de paz.

 

Frei Ludovico Garmus, ofm



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