PUBLICAÇÕES



NEWSLETTER
Receba as nossas novidades por e-mail! Clique aqui.

Artigos, Liturgia - 11/08/2017

19º Domingo do Tempo Comum, ano A

Disponível em: https://br.pinterest.com/pin/297870962830140691

“Homem fraco na fé, por que duvidaste?”

Oração: Deus eterno e todo-poderoso, a quem ousamos chamar de Pai, dai-nos cada vez mais um coração de filhos, para alcançarmos um dia a herança que prometestes.

1. Primeira leitura: 1Rs 19,9a.11-13ª

Permanece sobre o monte na presença do Senhor

Em seu zelo pelo Deus verdadeiro Elias tinha provocado um massacre de sacerdotes de Baal, divindade promovida pela rainha Jezabel. Por isso, a rainha decidiu matar Elias, que fugiu para o deserto e, desanimado, desejava morrer. Mas um anjo o socorreu com pão e água. Reanimado, Elias continuou andando até o monte Horeb, onde passou a noite numa caverna. No dia seguinte, Deus mandou Elias esperar sua manifestação no alto da montanha. Houve então um vento violento; depois, um terremoto; e, em seguida, um fogo. Mas Deus não se manifestou em nenhum deles, e sim, numa brisa suave. Ao perceber a presença divina, Elias cobriu seu rosto com um véu e ouviu Deus, que lhe falava.

Deus não se manifesta necessariamente na força, no barulho e na violência, mas prefere o silêncio, a paz e a suavidade. Um recado para nossas liturgias barulhentas: rezamos, falamos para Deus, cantamos e fazemos muito barulho… Será que abrimos um pequeno espaço de silêncio para deixar que Deus nos fale?

O melhor caminho para encontrar-se com Deus, lembra o profeta Isaías, é “deixar de fazer o mal e aprender a fazer o bem” (1,16-17); sem isso, de nada valem as mais belas liturgias (Is 1,10-15). É melhor dizer no silêncio de seu coração, como o publicano: “ó meu Deus, tem piedade de mim, pecador”, do que louvar a Deus, achando-se melhor que os outros, como o fariseu (Lc 18,9-14).

Salmo responsorial: Sl 84

Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade,

e a vossa salvação nos concedei!

1. Segunda leitura: Rm 9,1-5

Eu desejaria ser segregado em favor de meus irmãos

Paulo se lamenta, cheio de dor, porque seus irmãos de sangue e fé judaica não aderiram à fé em Cristo. Desejava ser o apóstolo no meio deles. Desejava ser escolhido por Cristo em favor de seus irmãos judeus. Deus, porém, o chamou para falar aos pagãos. Lucas lembra que, numa celebração litúrgica, o Espírito Santo tinha dito: “Separai-me Barnabé e Saulo para a obra a que os chamo” (At 13,1-3); tratava-se da missão entre os pagãos.

Mas, Paulo reconhece a herança comum que os cristãos têm com os judeus e é grato por Cristo ter vindo do judaísmo. Também nós somos chamados a ter um relacionamento de gratidão e respeito pelos judeus, pelo muito que do judaísmo recebemos.

Aclamação ao Evangelho

Eu confio em nosso Senhor, com fé, esperança e amor;

Eu espero em sua palavra, Hosana, ó Senhor, vem, me salva!

3. Evangelho: Mt 14,22-33

Manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água

O milagre da natureza (“multiplicação” do pão) e o caminhar de Jesus sobre a água querem nos dizer mais do que, simplesmente, contar um milagre. Mateus, no cap. 8,23-27, ao contar o milagre da tempestade acalmada, quer ilustrar o seguimento de Jesus. No texto apresentado neste domingo (14,22-33), Mateus quer focalizar a atitude dos discípulos, instruindo-os na verdadeira fé.

A vida cristã acontece em meio às tempestades e adversidades do dia-a-dia. Na celebração da Missa, quando o presidente da celebração nos saúda “O Senhor esteja convosco”, nós respondermos “Ele está no meio de nós”. Mesmo assim, em momentos difíceis, pode surgir a dúvida concreta que afligiu o povo de Israel no deserto: “O Senhor está, ou não está, no meio de nós?” (Ex 17,17). Assim também aconteceu com o profeta Elias, que fugiu para o deserto, desanimado de sua luta pela fé no verdadeiro Deus. No silêncio do deserto, porém, teve um encontro com Deus, que lhe deu forças para continuar sua missão (1ª leitura).

A fé na presença de Deus torna-nos capazes de fazer coisas incríveis. Pedro, por exemplo, quando viu Jesus caminhando sobre as águas do mar agitado pediu-lhe para fazer a mesma experiência. Jesus lhe disse: “Vem!” Na presença de Jesus (ressuscitado) parecia fácil e Pedro começou a caminhar. Mas, ao sentir o vento, duvidou da presença do Senhor e, com medo de afundar, pôs-se a gritar: “Senhor, salva-me!” Jesus logo veio em socorro e disse: “Homem fraco na fé, por que duvidaste?” Imediatamente, todos na barca sentiram a presença do Senhor, prostraram-se diante dele e disseram: “Tu és o Filho de Deus”.

Pedro e os discípulos representam a todos nós. Nossa fé pode fraquejar, mas Jesus sempre vem em nosso socorro, quando a Ele clamamos. Nele podemos confiar, porque, verdadeiramente, é o Filho de Deus.

Frei Ludovico Garmus, ofm



Compartilhe: