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Artigos, Liturgia - 04/07/2018

14º Domingo do Tempo Comum, ano B

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Oração: “Ó Deus, que pela humilhação do vosso Filho reerguestes o mundo decaído, enchei os vossos filhos e filhas de santa alegria, e dai aos que libertastes da escravidão do pecado o gozo das alegrias eternas”.

  1. Primeira leitura: Ez 2,2-5

São um bando de rebeldes,

e ficarão sabendo que houve entre eles um profeta.

Ezequiel conta em primeira pessoa sua experiência de ser chamado por Deus como profeta. Outros profetas como Amós (7,15), Jeremias (1,7) e Isaías (6,8-11) também contam sua vocação profética. Ezequiel narra como foi arrebatado pelo espírito divino. Deus como que invade sua pessoa (3,12.24; 8,3) e toma conta de sua fala (3,1-3). E o profeta torna-se assim o porta-voz de Deus, mas continua livre para acolher, ou não, o chamado divino. Por outro lado, o profeta tem consciência de estar falando em nome de Deus. Os ouvintes têm a liberdade de acreditar, ou não, que Ezequiel fala em nome de Deus. Por isso, Deus adverte Ezequiel sobre as dificuldades da missão: “Eu te envio aos israelitas, nação de rebeldes, que se afastaram de mim…, filhos de cabeça dura e coração de pedra”. O profeta tinha que falar em nome de Deus a um povo rebelde e agressivo, que o cercava como se fossem espinhos e escorpiões (v. 6-7). Não obstante a rebeldia, Deus misericordioso continua falando a Israel, porque são seus filhos. Mas, se persistirem endurecendo o coração, sobrevirá o silêncio de Deus, como diz o profeta Amós: “Enviarei fome ao país, não uma fome de pão, nem uma sede de água, mas de ouvir as palavras do Senhor. Andarão cambaleando de um mar a outro, do norte até o oriente, procurando a palavra do Senhor, mas não a encontrarão” (8,11-12).

Ouçamos hoje a voz do Senhor!

Salmo responsorial: Sl 122

Os nossos olhos estão fitos no Senhor;

tende piedade, ó Senhor, tende piedade!

  1. Segunda leitura: 2Cor 12,7-10

Gloriar-me-ei das minhas fraquezas,

para que a força de Cristo habite em mim.

Ezequiel teve que enfrentar a dureza de coração de seus opositores. Deus o anima a não temê-los, “mesmo que espinhos te cerquem e estejas assentado sobre escorpiões” (Ez 2,6). Jesus foi expulso por doutores da Lei e por fariseus não só de Nazaré, mas também da sinagoga (evangelho). Da mesma forma, o apóstolo Paulo teve que enfrentar tanto inimigos externos, como adversários dentro do próprio cristianismo. Eram cristãos de linha judaica que contestavam o apostolado de Paulo, porque este defendia a liberdade frente a Lei de Moisés. Na Segunda Carta aos Coríntios (cap. 10–12), ele defende seu modo de pregar o Evangelho e a autoridade de seu apostolado, do qual tinha orgulho. No texto de hoje, porém, ele reconhece suas fraquezas. Fala de um “espinho na carne” que o atormentava (doença, prisões, tentações, oposição de judeu-cristãos ou remorso de seu passado?), para que não se orgulhasse dos dons e das revelações recebidas de Cristo. Reconhece que a força de seu ministério vem de Cristo: “Basta-te a minha graça, pois é na fraqueza que a força se manifesta”.

Aclamação ao Evangelho: Lc 4,18

            O Espírito do Senhor, sobre mim fez a sua unção;

            enviou-me aos empobrecidos a fazer feliz proclamação.

  1. Evangelho: Mc 6,1-6

Um profeta só não é estimado em sua pátria.

Depois de ter sido batizado por João e tentado pelo demônio, no deserto, Jesus iniciou sua atividade nas aldeias em torno do lago de Genesaré. A fama de seus milagres e de sua pregação já havia chegado até Nazaré. De fato, seus parentes o haviam procurado em Cafarnaum para tirá-lo de circulação, pois pensavam que estivesse ficando louco (3,21.31-35). Sua pregação em prol da boa-nova do Reino de Deus nem sempre tinha sucesso. Sua mensagem dividia o auditório. Havia os que o seguiam na esperança de serem beneficiados por algum milagre. Outros o seguiam para ouvir sua mensagem; outros, ainda, o seguiam apenas para contestar suas palavras e criticar suas ações. Jesus exemplifica as diferentes respostas dos ouvintes na parábola do semeador (Mc 4,1-20). No entanto, diante dos aparentes fracassos Jesus continuava confiante na semente da Palavra que semeava. As parábolas da “semente que cresce sozinha” e do “grão de mostarda” (4,26-32) no-lo demonstram claramente. Com esta confiança, Jesus chega à aldeia de Nazaré, onde fora criado. Quando entra na sinagoga podemos imaginar que a expectativa para ouvi-lo era enorme. Logo, porém, os ouvintes passam da admiração por causa de seus milagres e da sabedoria de seu ensinamento para a desconfiança e o desdém. Desautorizaram a Jesus porque não tinha estudado a Lei junto aos mestres em Jerusalém. Jesus não passava de um carpinteiro, de um trabalhador braçal. Todo mundo conhecia sua mãe e seus familiares. E Jesus ficou admirado pela falta de fé de sua gente: “Um profeta só não é estimado em sua pátria, entre seus parentes e familiares”. Diante da incredulidade dos conterrâneos, Jesus “curou apenas alguns doentes”. Na primeira vez que Jesus entra numa sinagoga de Cafarnaum para ensinar todos reconhecem sua autoridade: “O que é isso? Uma doutrina nova dada com autoridade!” (1,27). A última vez que Jesus ensina numa sinagoga é em sua terra natal e dela sai desautorizado (6,29). Mesmo assim, continua ensinando nos povoados dos arredores e curando os doentes. O evangelho deve ser anunciado “quer te escutem, quer não” (1ª leitura). João Batista já dizia: “quem tem ouvidos [para ouvir Jesus], que ouça” (Mt 11,15).

 

Frei Ludovico Garmus, ofm



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